“Os dados revelam um paradoxo: embora as mulheres tenham sido minoria no curso de regência em nossa universidade (UFMG), aquelas que ingressaram apresentaram taxas mais altas de permanência e conclusão. Isso sugere que o principal obstáculo não está na capacidade de concluir a formação, mas sim nas barreiras simbólicas e estruturais que afetam o acesso e a legitimidade a longo prazo no campo da regência.”
— Iara Fricke Matte | Perspectivas sobre o Curso de Regência na UFMG, Conferência no V Simpósio Internacional de Mulheres Regentes, 2025
“A meu ver, o conteúdo musical de uma obra se revela de maneira muito mais eficaz quando o intérprete compreende os princípios estéticos, as nuances interpretativas e os parâmetros sonoros do período em que foi composta.”
“O que fundamenta meu trabalho é a convicção de que a cultura é um instrumento fundamental na formação do indivíduo, e que ainda há um vasto espaço para que as práticas artísticas e culturais contribuam para a ressignificação da nossa sociedade.”
— Iara Fricke Matte | A Arte da Regência, entrevista de Roger Canesso, Revista Concertista, 2018
“O som vocal ideal do final do Renascimento e do início do Barroco era moldado pela colocação natural da língua materna e pelo uso expressivo da ornamentação. A diferenciação tímbrica e a inflexão linguística desempenhavam um papel central na expressão vocal.”
“As fontes históricas revelam que a prática vocal antiga buscava a afinação pura e um uso diferenciado dos registros e do timbre, em vez da homogeneização sonora que só viria a ser teorizada séculos depois.”
— Iara Fricke Matte | A estética vocal na transição da Renascença para o Barroco, Per Musi, 2017
“O texto torna-se o princípio unificador do discurso musical, moldando-o tanto em nível micro quanto macroestrutural — aquilo que Monteverdi denomina como uma ‘forma natural de imitação’.”
— Iara Fricke Matte | O Orfeo de Claudio Monteverdi: um convite à Imaginação - Trilhas de Orfeo (ed. Rosângela de Tugny), 2003